O LADO NEGRO DA MODA PLUS SIZE

Entre modelos e agências, há todo um mundo obscuro

ao qual é necessário estar-se muito alerta

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Actualmente começa a surgir um crescente interesse quanto à moda plus size. Ao encontro disso, crescem o número de modelos e agências interessadas neste universo das pessoas de tamanho grande.

Mas, todo o cuidado é pouco e não sejamos inocentes… ninguém se tornou solidário para connosco, pessoas gordas, a única coisa que está a acontecer é um novo negócio em torno disso ou seja, apenas novas formas de se gerar lucro.

Lembrando que, muitas pessoas de tamanho grande, por motivos óbvios, sentem uma maior necessidade de aceitação, como tal, podem deixar-se levar por abusadores/as que somente querem tirar partido dessa condição que as deixa bastante vulneráveis. Logo, é preciso estar-se muito atento e acima de tudo, saber detectar – quem é quem – e aprender a dizer não, pois é uma grande virtude que nos pode livrar de muitos males.

Esta foi a minha maior motivação para escrever este artigo, a posição desfavorável em que muitas pessoas gordas se encontram face à sociedade e que pode torná-las alvos fáceis de gente mal-intencionada e sem escrúpulos. Por norma tais pessoas são muito galantes, bem-falantes e até descontraídas e tudo isso traduz-se numa imagem de autoconfiança que não passa de uma grande máscara.

Pelo que, é muito importante saber que nem todas as pessoas devem ser modelos, tal como nem todas devem ser agentes. Existe formação para estas áreas e isso é um passo importante a dar caso se entre no meio, independentemente do lado “da força” em que se situem pois curiosidade, não é o suficiente para se avançar.

E claro, é óbvio que há excepções, pessoas com um talento natural e carisma para modelar, agenciar e até fotografar mas, uma coisa é certa, ser tão-somente uma pessoa de tamanho plus size, não basta para se exercer nenhuma função.

E porque é que digo isto? Porque estas situações acontecem visto que, muita gente procura validação através da moda (tal como da música, do cinema, etc) o que dá lugar a muitos interessados. Mas, além disto, acontece muito mais.

Caso não saibam, também existem pessoas gordas que são gordofóbicas (têm aversão à gordura), logo, até mesmo dentro de agências plus size existe gordofobia (discriminação pelo peso/tamanho). E há várias formas disso se expressar, sendo uma delas através das preferências, nomeadamente por tipos de pessoas padrão – brancas, heterossexuais, altas, jovens, com peito e rabo avantajados, com forma de ampulheta, pouca celulite, estrias ou flacidez, etc. Sendo que o preconceito aqui apresentado, vai além dos quilos.

Então não pensem que, uma pessoa ao tornar-se modelo plus size passará a estar numa bolha, como se a partir daí ficasse protegida do preconceito, da imposta cultura da dieta e do exercício (bem mais agressivos dentro do mundo da moda), pois não é a realidade.

As preferências acontecerão e quer modelos, quer agências devem estar preparadas para saber lidar com isso devidamente. As modelos deverão ter sua auto-estima salvaguardada e as agências deverão esforçar-se para quebrar esses padrões existentes até mesmo dentro do universo plus size. Como? Indicando para os trabalhos, modelos que não sejam o padrão predilecto, trabalhando o cliente nesse sentido de se desprender desse ideal, etc.

As/os modelos devem ter toda uma preparação não só profissional como pessoal, antes, durante e depois de cada sessão ou casting para que, saibam lidar com esse tipo de situações (ou outras), caso elas sucedam.

Nas agências, deve existir um departamento jurídico onde possam ser reportados casos de preconceito e não só (tais como de assédio) e que tratem deles devidamente, defendendo seus modelos que forem alvo de discriminação – corporal, racial, sexual, etc.

Um departamento de psicologia também é de muito valor visto que, muitas pessoas de tamanho grande lidam com problemas de saúde mental (depressão, ansiedade, fobias, pânico…) que advém do preconceito a que são expostas, de abusos, etc. Pelo que, será muito bom, haver este tipo de acompanhamento mais próximo, não só por este motivo mas também de modo a trabalhar a autoconfiança e união de toda a equipa de trabalho. Que mais não seja alguém com formação em coaching que também pode ajudar bastante em várias frentes a toda a agência e aos agenciados.

As/os modelos a quem aconteça qualquer situação discriminatória, saibam que não devem permiti-lo e ao menor vislumbre disso, devem dirigir-se ao departamento jurídico (caso exista) ou então abandonar a agência. Mas porquê? Porque ao não se posicionar perante algo assim, a agência revela não ser um ambiente seguro visto que ninguém deve ser discriminado por razão alguma. É simplesmente inaceitável!

Como tal, as agências devem ser alvo de uma análise minuciosa por parte de quem aspira a ser modelo. Além de formação é necessário um grande carácter, por parte dos/as agentes para que além de serem profissionais, sejam imparciais e não caíam em erros tão comuns como: preferências entre modelos, gordofobia, dominação (exercer controlo), etc.

Os/as agentes não devem de modo algum controlar a vida dos seus modelos. Os contratos de exclusividade pagam-se e caro, então, quem quiser modelos só para si, terá de os fazer e pagar à altura. Convém que os/as modelos tenham conhecimento disto, sendo que têm total liberdade para fazerem trabalhos que não surjam através da sua agência e que estão assim no seu direito, sem cederem a qualquer tipo de manipulação. Ainda assim, contratos de exclusividade devem ser muito bem detalhados para que os/as modelos saibam quais são os limites estabelecidos.

Pelo que, havendo qualquer tipo de perseguição, devem afastar-se no imediato porque tristemente ainda é algo que acontece no mundo da moda e que, por sinal não é novidade alguma para quem segue este meio. Tal situação, só revela amadorismo, medo e comportamento abusivo por parte de quem agencia.

Cuidado também com os fotógrafos. Antes de fazerem qualquer trabalho com os mesmos, conheçam o seu portfólio e saibam mais sobre a sua carreira para que não coloquem o vosso book em risco com imagens de má qualidade e sem categoria.

Também não façam nada que a agência não vos tenha indicado para um trabalho e não façam NADA que não vos deixe confortáveis (por exemplo, tirarem toda a roupa). Tais limites devem ser estabelecidos antes de iniciarem a carreira e informados à agência durante a contratação ou seja, na fase de entrevista.

E, não cedam a pressões pois frases como “assim não vais longe”, “já não te arranjo mais trabalhos” ou “não sejas careta”, são formas de coagir, induzindo a pessoa a fazer algo que ela não quer e como coacção é crime, deve ser tratado como tal, se acontecer.

Então, o melhor é lerem muito bem os contratos antes de os assinarem, analisá-los durante um tempo e até levá-los a um advogado que lhes explique algo em que possam ter alguma dúvida. Devem também, ficar sempre com uma cópia devidamente carimbada e assinada pela agência, para que saibam sempre quais os deveres e direitos de ambas as partes envolvidas.

Posto isto, espero que tenham gostado e faço votos de grande sucesso a todos que enveredem por esta área, esperando que façam o trabalho de casa e analisem muito bem o que têm à vossa disposição, antes de tomarem qualquer decisão.

Beijos assinados com baton 💋 da autora, Liliane Mira.

P.S. para mais informação sobre este mesmo tema leiam este artigo da Mulher XL Portugal: http://mulherxl.pt/alerta/

 

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4 TENDÊNCIAS PROBLEMÁTICAS QUE VEJO EM INSTAGRAMS DE POSITIVIDADE CORPORAL

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29 de março de 2017 por Suzannah Weiss

Como um ávida leitora de sites de mulheres, vejo literalmente uma nova manchete todos os dias, que começa com “Estas Fotos lado a lado” ou “Este Blogger Corpo-Positivo” e tem um post de Instagram incorporado. Eish, eu mesma escrevi um par deles.

Mas eu também meio que me encolho com eles.

Se te parece que todos estes Instagram Virais são parecidos, não é a tua imaginação. Eles são incrivelmente homogéneos.

E se algum deles fazem com que te sintas menos bem acerca do teu corpo, também não és só tu. Alguns deles não são mesmo de todo corpo-positivos e muitos contêm mensagens misturadas.

Enquanto eu apoio essas pessoas e seus esforços para promoverem a positividade do corpo, há muito espaço para melhorias.

Aqui estão alguns problemas que eu notei com Instagrams corpo-positivos e como podemos fazer tudo melhor.

1. As mulheres magras, brancas e convencionalmente atrativas estão a começar a obter a maioria da atenção

É bastante irónico que os rostos de um movimento baseado na aceitação daqueles que não atendem aos padrões de beleza da sociedade sejam pessoas que – bem – atendem aos padrões de beleza da sociedade.

Isso não quer dizer que outros não estejam por ai. Muitas pessoas gordas, pessoas negras, e pessoas de género fluído (que se identificam tanto com um lado feminino como com um lado masculino estão a trabalhar incansavelmente para combaterem a cultura da dieta e a inspirarem as pessoas a aceitarem-se. Se tu não sabes a quem me estou a referir, tenta verificar estes nomes: @tessholliday, @mynameisjessamyn, @gabifresh, @ihartericka, @isupersheng e @itsmekellieb.

Mas role até às páginas de sites sobre saúde de mulheres populares, e não é tão freqeente ver pessoas como elas.

Em vez disso, encontrarás Instagrammers que são brancos, convencionalmente atraentes e magros ou de tamanho médio.

Eu não pretendo dizer que estas pessoas não têm lutas com a imagem do corpo ou que não merecem amar seus corpos. O Positivismo Corporal é para todos, incluíndo pessoas magras e convencionalmente atrativas.

Mas as pessoas que são mais prejudicadas pela negatividade corporal – e, portanto, precisam mais da positividade corporal – são estranhamente invisíveis. E essas pessoas muitas vezes oferecem uma versão mais radical da positividade do corpo, que poderia nos ajudar a todos.

No Instagram da Positividade Corporal, pessoas privilegiadas têm inspirado muitas pessoas, e isso é ótimo. Eu não quero que elas parem. Gostaria apenas de estar a ver uma maior variedade de pessoas destacadas junto delas.

Para resolver este problema, as pessoas no Instagram podem fazer um esforço para procurar (e re-gramar) pessoas marginalizadas como as que mencionei e essas publicações também podem incluí-las em seus artigos ao invés de desenhar a partir das mesmas contas a cada cronologia.

2. Há ainda algumas mensagens corpo-negativas por lá

Um monte de positividade corporal online e offline anda a soar como “ama-te a ti mesmo, ainda que não cumpras teus objetivos de fitness e beleza, mas ainda te esforças para atingi-los.”

Ou pior, “Altera o teu corpo para que tu o ames. Fá-lo por ti! “

Podes realmente aceitar o teu tamanho, mas querer mudá-lo? Acho que não. A própria definição de aceitar algo é não querer mudá-lo.

Assim, é frustrante ver pessoas a falar sobre como seu corpo não é um problema e, em seguida, a dizer como deve ser corrigido.

Por exemplo, recentemente a fitness blogger Anna Victoria, por exemplo, postou uma foto a mostrar a sua celulite, para normalizar a celulite. “Pare de pensar que você é a única com celulite e que é algum tipo de doença!”, Ela escreveu, o que é tão verdadeiro: 90% das pessoas que produzem muito estrogênio têm-no.

Mas ela prosseguiu com isto:

“Não é mau querer reduzir a visão da celulite, assim como não é mau querer perder peso e se sentir mais confiante no geral, mas não se proponha a perder peso apenas para ter menos celulite. Pode ser uma cereja em cima de todos os outros benefícios surpreendentes. Se me perguntares como reduzir a aparência da celulite, a minha resposta será: dieta saudável, exercício regular e ingestão de água adequada – é isso.

Assim, em outras palavras, é bom ter celulite, mas se te puderes livrar dela, ótimo, e aqui está como. A segunda parte desvirtua totalmente a primeira.

Muitos Instagrams positivos quanto ao corpo também são pontuados com imagens de refeições “saudáveis” de baixas calorias, de baixo teor de gordura ou de baixo teor de carbohidratos ou imagens que documentam o progresso dos Instagrammers na obtenção da aparência desejada.

Instagrammers como estes alimentam o mito principal que a cultura da dieta nos ensina: que tu podes amar teu corpo e mudá-lo – ou mesmo amá-lo mudando-o.

Isso pode ser especialmente prejudicial para as pessoas em recuperação de distúrbios alimentares que estão a tentar tão duramente evitar comprometer-se com seus transtornos alimentares e rejeitar todas as ideias corpo-negativas.

Se realmente queremos promover a positividade corporal, precisamos promovê-la sem qualificações ou contradições.

Precisamos declarar que a pele com celulite é perfeita, não menos do que ótima, mas aceitável.

Precisamos proclamar que a gordura é bonita, não apenas tolerável. Invés de documentarmos nossos hábitos como se amássemos mais os nossos corpos quando perdermos peso, nós necessitamos reconhecer que todo o auto-amor que nós podemos sentir está disponível para nós agora.

3. Essas comparações de fotos têm algumas implicações negativas

Algumas das postagens mais populares corpo-positivas em Instagrams que vejo são aquelas com duas fotos lado a lado para mostrar como a iluminação, a postura e o ângulo da câmera podem afetar a aparência de alguém.

Em geral, eu gosto destas porque elas recordam-me para não pirar quanto a fotos “más” de mim mesma.

Mas também precisamos desafiar o próprio conceito de uma foto “boa” ou “má” – e é aí que muitas vezes vejo que isso está a cair por terra.

A implicação dessas mensagens é que, mesmo as pessoas magras e atraentes podem ter rolos no estômago ou inchaço, então tu não deves preocupar-te se o tiveres.

Ao tranquilizar as pessoas que não são gordas, essas fotos retratam a gordura como má, o que é inerentemente anti-gordura.

E as pessoas com rolos no estômago que não desaparecem quando elas se levantam ou estão de pé ou estômagos que ficam de fora muito depois de se ter comido?

Essas pessoas merecem se sentir bem com os seus corpos incondicionalmente, não para se tranquilizarem de que eles estão apenas a ter um dia mau ou que uma foto que eles viram de si mesmos não é o que ela realmente parece.

4. Usar corpos magros para representar a beleza não convencional

Um post do Instagram que foi viral este verão mostra uma foto de Amy Schumer ao lado de uma estátua de Afrodite.

“Tantas mulheres e moças são envergonhadas pelos media e pela indústria da moda por não terem um estômago liso e por não serem um tamanho zero”, escreveu a autora do artigo, @whitneyzombie.

“Mas veja, a deusa da beleza é retratada aqui com rolo no estômago e não tem um corpo perfeitamente liso, tonificado. Eu quero lembrar a todas que elas não precisam ser umas modelos da Victoria’s Secret para serem umas belas deusas com um belo corpo “.

Esta é uma mensagem doce e um lembrete útil de que tu não tens que ser magra para seres considerada atrativa. No entanto, Amy Schumer é magra. (Ela diz que está entre um tamanho S = 36 e um M = 38, e a média nacional é um L = 44.) E assim também é a estátua da Afrodite.

Ter rolos no estômago não é radical. As pessoas magras têm-nos. Ao retratá-los como algo fora do comum e revolucionário, estamos realmente a contribuir para o estigma contra eles.

Considerar uma deusa grega bonita também não é radical.

Afrodite pode ter um pouco mais de gordura do que o ideal atual da sociedade, mas ela tem menos gordura do que uma pessoa na média, e ela tem proporções muito idealizadas. As estátuas gregas também representam um ideal branco e eurocêntrico de beleza.

Instagrams como estes refletem um problema maior em toda a media: Pessoas com corpos atraentes realmente convencionais, como Kim Kardashian e Beyoncé, são retratados como maiores do que o normal, o que perpetua uma ideia realmente desarrumada do que é normal.

Ao usar esses corpos para representar pessoas que são maiores, estamos a fazer com que as pessoas médias e magras sintam que as pessoas grandes e maiores se sintam invisíveis.

Sendo que as pessoas gordas são o grupo que sofre mais da opressão gorda, devem ter o papel maior no movimento da Positividade corporal.

Em vez de compartilhar fotos que mostram como as pessoas magras ou médias são lindas, o que apenas reitera a narrativa dominante, devemos estar a lembrar a todos que as gordas são lindas.

Eu aprecio a vulnerabilidade que é preciso para posar em sua roupa interior ou escrever sobre suas lutas quando à imagem corporal, então isto não é uma condenação de Instagrammers corpo-positivos. Elas têm ajudado muitas pessoas.

E a última coisa que eu gostaria de fazer é colocar ainda mais pressão sobre as mulheres para se auto-censurarem. É melhor falar e arriscar-se a cometer erros do que ficar em silêncio por ter medo de ofender alguém.

Mas então, quando cometemos esses erros (o que vamos fazer), temos de apropriar-nos deles e de tentarmos fazer melhor.

A Positividade Corporal tem potencial para ser realmente radical.

Mas agora, a imagem que muitas pessoas têm dela consiste em mulheres sensuais e magras a posarem com má iluminação para mostrar celulite que mal existe e a darem conselhos sobre como se livrarem dela.

Novamente, eu não quero banalizar a coragem que isso pode ter. Para os Instagrammers do corpo-positivo aí fora, continuem a fazer o que estão a fazer.

Mas pense muito sobre como o estás a fazer – e sobre quem mais pode estar a fazê-lo e a receber  menos reconhecimento.

Suzannah Weiss é uma escritora que contribui com este site (Feminismo Diário). Ela é uma escritora baseada em Nova York cujo trabalho apareceu no Washington Post, Salon, Seventeen, BuzzFeed, The Huffington Post, Bustle, e muito mais. Ela possui diplomas em Estudos de Género e Sexualidade, Cultura Moderna e Media, e Neurociência Cognitiva da Universidade de Brown. Podes segui-la no Twitter @suzannahweiss.

Traduzido e adaptado de: http://everydayfeminism.com/2017/03/problematic-body-posi-instas/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+EverydayFeminism+%28Everyday+Feminism%29&mc_cid=5f8c32f148&mc_eid=11dcf72bb2

PORQUE É QUE AS PESSOAS SÃO TÃO MESQUINHAS PARA AS PESSOAS GORDAS?

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Querida Virgie,

Recentemente eu fui abordada por causa do meu tamanho duas vezes numa semana. Isso deixou-me a pensar e por isso segue a pergunta: Porque é que as pessoas são tão mesquinhas para as pessoas gordas?

Querido amigo:

Realmente, é realmente uma treta que as pessoas gordas sofram o risco de assédio cada vez que deixam as suas casas. Eu sei que eu sinto que estou sempre pronta para ser apontada, darem risadas ou ser ridicularizada. Isso leva à ansiedade, hiper-vigilância e às vezes auto-isolamento. Estou aborrecida por isto ter acontecido contigo.

É importante saber que o comportamento médio a que te estás a referir é uma manifestação de fanatismo. A intolerância é sempre sobre projeção e fantasia.

“Gordo” e “magro” são categorias inventadas, socialmente construídas. As categorias estigmatizadas são criadas para que os membros da cultura dominante possam projetar todas as qualidades temíveis que eles mesmos possuem sobre os outros com menos poder. Eles então fantasiam que o grupo é ou aterrorizante ou inferior (ou ambos) e agem de modo paranóico em seu próprio artifício.

Assim, as pessoas são más para com as pessoas gordas porque são intolerantes. Além disso, nossa cultura usa a linguagem da gordura para articular outras ansiedades culturais em torno de género, raça e classe.

Há uma longa história na crença de que a gordura é causada por um relacionamento indisciplinado com os alimentos. Há também uma longa história na crença de que as pessoas que são vistas como indisciplinadas com os alimentos são imorais. A verdade é que a relação entre o alimento e o tamanho do corpo é muito complexa, mas em nossa cultura essa complexidade é achatada para fins de discriminação e manutenção de ideologias arcaicas.

Relacionados: Querida Virgie: Qual é a História da Cultura da Dieta?

Vivemos numa cultura que acredita que pode controlar a moralidade através dos alimentos. E também vivemos numa cultura que acredita que tu podes dizer qual é a moral de alguém, olhando apenas para o seu corpo. Obviamente, esse tipo de vínculos são absurdos. No entanto, há uma série de realidades culturais que fazem pouco sentido, mas que aceitamos como uma sociedade sem questionamento.

Os Estados Unidos são obcecados unicamente com moralidade, pureza e inocência. Pureza, inocência e moralidade são transpostas para corpos magros. Não há nada inerente a essa conexão, mas a mantemos através da mitologia cultural.

Além disso, é essa alegação de pureza, inocência e moralidade que usamos durante séculos para explicar nossas campanhas de violência e genocídio. É tudo um mito, mas é um mito que o país deve acreditar, a fim de manter sua história antiética como forma de comportamento justificado. É uma fantasia paranóica que custa a muitas pessoas suas vidas e sua felicidade.

O dogmatismo é uma ideologia que coloca ilógicamente certas pessoas como superiores ou inferiores aos outros. Muitas pessoas acreditam que a gordofobia não é uma forma de intolerância, mas sim uma forma de preocupação. Um sinal realmente significativo de fanatismo é a presença de padrões duplos. Há muitos exemplos de uma pessoa gorda e de uma pessoa magra que exibem um comportamento idêntico, mas a pessoa gorda experimenta o julgamento negativo e a pessoa magra não experimenta nenhum julgamento ou recebe elogios. Eu estou a pensar em usar calças de moletão ou calças de yoga em público – as pessoas gordas são consideradas preguiçosas demais para serem se vestirem corretamente, enquanto que se for uma pessoas magra presume-se que irão fazer exercício.

Pense em todas as vezes que as pessoas gordas foram julgados por comerem qualquer coisa à frente dos outros, enquanto que as pessoas particularmente magras que comem um monte são consideradas adoráveis. Ou pense nas maneiras pelas quais as funções corporais das mulheres gordas são policiadas. Eu não posso dizer-lhe quantas vezes eu ouvi uma mulher magra a arrotar e a ser chamada de bonita e a saber que se fosse uma mulher gorda que esse mesmo comportamento seria considerado inaceitável e crasso. Existem muitos exemplos desse duplo padrão que são indicações de intolerância. A questão da intolerância é que posiciona o grupo alvejado como naturalmente inferior e menos do que humano.

É importante reconhecer que há um elemento estrutural para a gordofobia das pessoas, a fim de compreender verdadeiramente a capacidade dos outros para ser cruel para connosco. É responsabilidade deles – não a tua – fazerem melhor e serem pessoas melhores.

Eu espero que isso ajude.

Xox, Virgie

Virgie Istanbul 2016

Virgie Tovar é uma autora, ativista e uma das maiores especialistas e palestrantes da nação sobre gordofobia e imagem corporal. Ela é a fundadora do Babecamp, um curso on-line de 4 semanas projetado para ajudar aqueles que estão prontos para romper com a cultura da dieta e começou a campanha com a hashtag #LoseHateNotWeight (PercaÓdioNãoPeso).

Texto traduzido e adaptado de: http://wearyourvoicemag.com/dear-virgie/dear-virgie-people-mean-fat-people

5 DICAS CORPO-POSITIVAS

Pensando em positividade corporal? Aqui estão 5 dicas que eu acho útil, talvez tu também!

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1. APRENDA OS FATOS

Muitas vezes, quando as pessoas falam sobre positividade corporal, elas ficam relegadas ao mundo das emoções. Isso é bom, mas também é feito a frio. Decidir ser corpo-positivo significa aprender algumas verdades que nos são ensinadas raramente:

95% das pessoas que intencionalmente perdem peso ganham tudo de volta e às vezes mais ainda dentro de 5 anos. Isso é verdade para pessoas que tentam perder 5 quilos ou 100. Nós não somos evolutivamente programadoa para sustentar a perda de peso intencional. Isso significa que não devemos ser capazes de controlar o tamanho de nossos corpos, e quanto mais cedo aceitarmos isso, melhor (e mais saudável).
A diversidade corporal é real. Nem todos nós devemos ser minúsculos; Os corpos são destinados a parecer de forma diferente.
O IMC tem sido refutado como uma medida de saúde. Não se pode dizer nada sobre a saúde, olhando para o tamanho do corpo de alguém.
Aprender a ser positivo quanto ao corpo é sobre munir-se desses fatos e muito mais. Da próxima vez que começares a julgar teu próprio corpo e perguntares-te se deves perder peso, podes lembrar-te da verdade: não há apenas nenhuma base lógica para a perda de peso.

2. MUDAR O OBJETIVO

Às vezes, trata-se de aceitação.

Eu não sou a primeira pessoa a dizer isso, mas podes não te sentir positivo sobre o teu corpo o tempo todo. Isso é ok: esse não tem que ser o objetivo. Alguns dias podes olhar no espelho e pensar, “oh meu deus, eu sou uma loba” Outros dias – nem tanto. Mas o ponto é realmente que tens um corpo. Apenas nota isso. Os corpos são neutros, as partes do corpo são neutras. Não precisas reunir adoração total o tempo todo. Tenta dizer coisas imparciais: “Oh, olha, é meu estômago, meu estômago humano.” “Eu tenho pernas: quem diria.” “Hoje meu corpo está a respirar facilmente.” “Eu percebo que o meu corpo está com fome.”

3. FAZER STOCK DE SUAS FONTES DE MEDIA

Estamos inundados com a media o dia inteiro, e a maioria desta media promove a mensagem de que as pessoas (e as mulheres em particular) devem ser magras, brancas, capazes e que têm características eurocêntricas. É nos mostrado que os povos que se parecem como estes traços, são recompensados com tudo de amor ao poder. O truque que eu aprendi com a Isabel Foxen-Duke é trabalhar para minimizar a frequência com que nós recebemos essa mensagens e maximizar as mensagens alternativas. É verdade, tu não podes esconder-te em tua casa evitando todos os outdoors, TV, anúncios, revistas e vídeos musicais. Mas podes cultivar a tua media social: deixar de seguir certas celebridades, peritos da “saúde”, blog de fitness ou outras páginas que desencadeiam conversa negativa quanto ao corpo. Substitua-os por blogueiros, chefs, atletas, modelos e dançarinos que não sejam gordofóbicos e que são ativistas da positividade corporal.

4. LEMBRA-TE: JÁ FOSTE UM BÉBE UMA VEZ

Aqui estão mais dois fatos:

1) O ódio pelo corpo não é uma qualidade humana inerente.

2) Se estás a lutar pela aceitação do corpo, não és o único. Os bébes não nascem aborrecidos com as suas coxas ou a tentar “cortar no leite”. Para mim, os bébes parecem estar fascinados pelas características e funções de seus corpos. Tu também foste um bébe. Provavelmente amaste explorar os limites do teu novo corpo, agarrando teus pés e agitando teus braços. Em seguida, algumas mensagens minaram teu caminho e a tua vida. Essas mensagens podem ter dito coisas como: corpos são maus, pecaminosos, feios, gordos, errados. Podes ter aprendido isso através dos teus cuidadores ou de amigos. Tu provavelmente aprendeste isso com os media, no sistema de saúde, no sistema educacional e de muitos outros lugares. Aconteceu sistemicamente. E quando as coisas ocorrem nesse nível generalizado, nós o chamamos de opressão. O ódio pelos corpos foi estabelecido por sistemas de opressão, incluindo: sexismo, racismo, classismo, habilidade, homofobia, transfobia e hegemonia cristã. Estes sistemas reunidos enviaram a mensagem de que “os corpos são maus e devem ser controlados” e “alguns corpos são melhores do que outros”.

Se já te encontras a ter pensamentos negativos sobre o corpo, lembra-te que não é culpa tua, foste intencionalmente criado dessa maneira. A verdade é que ao sermos corpo-positivo isso é realmente um compromisso para acabar com todas as formas de opressão. Às vezes, se estiver a sentir-me mal com meu corpo, reafirmar meu ativismo também me reconecta à verdade de que os corpos são bons.

5. PROCURAR APOIO & FALAR SOBRE ISSO

As 4 dicas que eu listei acima são difíceis. Mas não tens que fazer isso sozinha. Escolhe um amigo de confiança e façam alguma pesquisa juntos. Para munires-te com fatos, tenta ler sobre Alimentação Intuitiva e Saúde em cada tamanho, ou assistir a TEDs que falem sobre isso. Conte a história do que aconteceu contigo para lembrar ao teu cérebro que tu não nasceste com esses pensamentos: tu aprendeste, e tu podes trabalhar para desaprendê-los. Falar sobre isso pode trazer sentimentos de vergonha, mas continua a lembrar a ti mesma que não é culpa tua. Há treinadores, como eu e muitos outros, que podem trabalhar contigo para classificar tanto os sentimentos e fatos, e que podem apoiar-te para continuares nesta viagem de aceitação do corpo.

Autora: Talia Cooper é uma treinadora e ativista anti-opressão. Ela fornece treinamento baseado no corpo via skype para pessoas que procuram curar seu relacionamento com a comida e seu corpo. Aberto para pessoas de todos os sexos, todas as idades, em todos os locais. E-mail: talia.cooper@gmail.com para mais informações.

Texto traduzido e adaptado de: https://entirelytalia.wordpress.com/2017/02/10/5-body-positive-tips/

 

 

 

DESAPRENDER A GORDOFOBIA É UM PROCESSO VITALÍCIO

Arquivos HAES®: SAÚDE EM TODOS OS TAMANHOS ® BLOG
Por Melissa Toler, Doutorada em Farmácia

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Depois de se apresentar na Super Taça deste ano, o estômago de Lady Gaga estava no centro de algumas boas e antiquadas medias socias da vergonha da gordura. Os espectadores da Super Taça foram para o Twitter e Facebook expressar sua desaprovação pela gordura da barriga e sugeriram que talvez ela devia ter-se debatiado uma pouco mais no ginásio,  antes do grande show. Isso causou um barulho tal, que ela respondeu na sua conta de Instagram com um breve post reconhecendo que ela se orgulha de seu corpo … e nós deveríamos de nos orgulharmos também.

O fato de o corpo de uma mulher poder atrair tais críticas é irritante, mas infelizmente não é nada de novo. Nós vivemos numa cultura que empurra um tipo de corpo ideal para mulheres; Uma cultura onde estranhos sentem-se autorizados a dar comentários não solicitados sobre os corpos das mulheres. Quando se coloca essas duas coisas juntas recebe-se o “Incidente Gaga”.

É também indicativo de como a gordofobia é tão profundamente implantada em nossas psiques individuais e coletivas e quanto temos que desaprender.

Nos últimos 4 anos, passei pela minha própria jornada de desaprender as lições de nossa cultura de dieta tóxica. Desde tenra idade, como todo mundo, fui programada para acreditar que um corpo menor é o que as mulheres deveriam querer. Fui socializada para pensar que é perfeitamente normal gastar a maior parte do meu tempo e energia emocional lutando pela magreza. Eu estou agora num ponto onde eu sei com 100% de certeza que isso é absurdo.

Eu acredito que a cultura da dieta desonra nossa humanidade, repetidamente outra vez. Às vezes, é totalmente desumanizante. Eu passei os últimos meses a chamar a cultura da dieta daquilo que ela é: violenta, opressiva e prejudicial aos nossos corpos e mentes.

Apesar de tudo isso, eu tenho que confessar: quando eu vi o estômago de Lady Gaga, uma velha voz de julgamento dentro de mim ressurgiu e disse: “Oh meu Deus, por que ela não encobriu sua barriga?!” (Sim, eu sei. Eu sinto-me horrível apenas ao escrever essas palavras.) Esta foi a voz que evoluiu a partir de 25 anos de dieta e de obsessão com a perda de peso. É a voz que eu tenho trabalhado no duro para silenciar por 4 anos. É a voz que vai contra toda a minha escrita e ensino sobre a aceitação do corpo.

Como poderia eu, uma defensora da justiça corporal, ter tal pensamento? Eu encontrei o consolo em umas citações por um de meus escritores e activistas favoritos dos direitos civis, Audre Lorde:

“O foco verdadeiro da mudança revolucionária nunca é apenas as situações opressivas que buscamos escapar, mas aquele pedaço do opressor que é plantado profundamente dentro de cada um de nós”.

Ao viver numa cultura racista, patriarcal e capitalista, é difícil não ter internalizado a mensagem de que apenas certos corpos são dignos de ser vistos. Apesar de todas as postagens de blog que eu escrevi e apresentações que eu dei, ainda há um pedaço do opressor que persiste nos recessos da minha mente.

Desaprender mensagens prejudiciais é a chave para nossa libertação individual e coletiva das injustiças corporais que muitos de nós enfrentamos todos os dias. A crença de que um corpo menor é melhor está tão enraizada em nossa cultura que nem sequer percebemos isso. É assim que a programação funciona; faz parte do seu sistema operacional.

É por isso que intencionalmente a desprogramação e reprogramação do meu pensamento tornou-se uma prática diária. Eu posso mandar este processo abaixo nas seguintes três etapas:

1. Ao longo do tempo, eu deixei de seguir e de subscrever contas de medias socias, sites e revistas que reforçam as mensagens tóxicas da cultura da dieta. Essencialmente, eu desintoxiquei meu ambiente e eliminei todos os traços de “positividade da boa forma ou fitspo,” conversas de dieta e gordofobia. Inicialmente, era difícil deixar de lado coisas em que eu acreditei por tanto tempo, mas criou espaço mental e emocional para absorver novas abordagens e perspectivas.

2. Uma vez que eu libertei espaço mental valioso, eu me imergi em materias e comunidades on-line sobre saúde em cada tamanho (HAES – health at every size). A ideia de que peso e tamanho não eram indicativos de saúde ou valor eram estranhas para mim e levou algum tempo para envolver totalmente a minha mente. Agora, a abordagem HAES é uma parte da minha vida e do meu negócio.

3. No ano passado, eu tornei-me mais consciente das injustiças sociais que estão desenfreadas em nossa sociedade. Aprendi que a positividade e aceitação do corpo não é apenas aprender a amar nossos corpos como são; é sobre justiça. Nossa sociedade tem um longo histórico de marginalizar, estigmatizar e abusar de pessoas cujos corpos não estão à altura de nossos padrões de beleza ou dignidade. Estou continuando a ver o meu trabalho através da lente da justiça social.
Este tem sido e será um processo contínuo para mim. Eu acredito que a cultura da dieta desonra nossa humanidade exigindo a perfeição, minando a autonomia do corpo, sobrecarregando nossa sabedoria do corpo e ignorando a diversidade do corpo.

Este tem sido e será um processo contínuo para mim. Eu acredito que a cultura da dieta desonra nossa humanidade exigindo a perfeição, minando a autonomia do corpo, sobrecarregando nossa sabedoria do corpo e ignorando a diversidade corporal.

Minha reação inicial ao estômago de Lady Gaga na Super Taça diz-me que há mais trabalho a fazer. Ainda há vestígios de mentalidade de dieta alojada profundamente dentro de mim. Talvez seja algo que não desapareça completamente, mas estou empenhada em fazer o trabalho contínuo para separar essas mensagens da minha mente, tanto quanto possível.
Cada um de nós nas comunidades HAES e de corpo positivo querem ver mudanças revolucionárias. Queremos que a cultura da dieta seja queimada no chão. Nós queremos ver o estigma do peso, o viés do peso e outras injustiças desumanizantes do corpo evaporarem na atmosfera.

O trabalho que fazemos com clientes, pacientes e nossas comunidades é importante. Nós temos sempre que falar e falar. No entanto, nosso trabalho não pára por aí. O opressor pode ainda operar dentro dentro de nós, mas fazendo nosso trabalho diário, seu impacto em nossas vidas pode ser diminuído.

Por: Melissa Toler Melissa é uma treinadora de bem estar, anti-dieta, peso neutro, que fala e escreve extensivamente sobre a cultura da dieta e a taxa que toma em nossas vidas e na nossa humanidade.
Ela aplica seus antecedentes como farmacêutica, uma certificação em treinadora de saúde e bem-estar, e seus 25 anos de história com dietas, em todo o seu trabalho.
É uma feroz defensora da justiça corporal, Melissa acredita que agora é o momento de fazermos da justiça uma prioridade na comunidade de positividade corporal e de rejeitar o status quo.

Sua missão é ajudar as pessoas a conectar os pontos entre nossa sociedade racista, patriarcal, capitalista e nossas lutas pessoais com peso, imagem corporal e auto-aceitação.

Adaptado e traduzido de: Https://healthateverysizeblog.org/2017/02/23/the-haes-files-unlearning-fat-phobia-is-a-lifelong-process/

11 FRASES OFENSIVAS QUE NEM SABIAS QUE SÃO ENVERGONHAMENTO DOS GORDOS ou fat-shaming

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24 de fevereiro de 2017 por Nakeisha Campbell, escritora convidada

Passei os primeiros 16 anos da minha vida sendo uma miúda de tamanho grande. Durante esse tempo, eu raramente me sentia como se eu fosse bonita. E era difícil ver-me como atraente quando os media me bombardeavam com imagens de mulheres magras e bonitas o tempo todo. Foi difícil para mim aceitar a minha aparência quando eu estava constantemente a ser pressionada a fazer dietas para perder peso.

Eu entendi que algumas pessoas realmente tinham boas intenções quando elas continuavam a incentivar-me a perder alguns quilos, mas no fundo, esses pedaços de conselho eram realmente uma ferroada. Eu não percebia isso no momento, mas aqueles chamados comentários úteis eram realmente o “envergonhar a gorda”.

Dizerem que eu deveria comer porções menores de comida, ou ter pessoas a assumirem que eu era incapaz de fazer certas coisas por causa do meu peso não era apenas rude, mas também uma enorme taxa em minha auto-estima. O que doía ainda mais era como algumas pessoas, incluindo meus próprios amigos, usariam a palavra “gordura” como se fosse um insulto. Chegou até a um ponto onde eu comecei a acreditar que eu parecia pouco atraente por causa do meu tamanho. Mas, felizmente, eu finalmente percebi que o tamanho de alguém não mede a sua beleza ou o seu valor. Aprendi que, apesar do que a sociedade pode pensar, você pode ser tanto gordo quanto fabuloso.

Se você já ofendeu uma pessoa gorda com um comentário rude, então as chances de você provavelmente não entender por que suas sugestões bem intencionadas são realmente prejudiciais, são grandes. Dê uma olhadela nessas 11 frases que você provavelmente não percebeu que são envergonhar a pessoa gorda ou fat shaming:

1. “Ewww, eu sinto-me tão gorda.”

Eu ouço muito essa frase. Mas não foi até recentemente que eu percebi quão prejudicial e ofensivo isso realmente soa. Dizer que você “se sente gorda” transmite que você vê realmente a gordura como um insulto. E mais, você só vai sair com essa, em busca de atenção, tal como uma pessoa que está a procurar simpatia e elogios extra. Portanto, se tiver uma refeição enorme e sentir-se cheio, ou se de repente sentir que ganhou um pouco de peso, não use a palavra “gordura” como se fosse um insulto.

2. “Você é realmente bonita para uma moça de tamanho grande.”

Ao dizer a alguém que elas são bonitas para uma moça de tamanho grande, você está a dizer-lhes que seu tamanho lhes dá uma grande desvantagem, porque presume que todas as moças de tamanho grande geralmente não são bonitas. Isso é insultuoso.

3. “Pare de dizer que você é gorda, você é linda.”

A gordura não é um sinónimo de “feiura” ou “desinteressante”. Assim, se uma pessoa está a sentir-se maior do que o normal, ou se ganhou um par de quilos, dizer algo como isso só reforçará a ideia de que ser-se gordo não é bonito .

4. “Você quer realmente comer isso tudo?”

Isto vai para além rude. Mas a parte mais ridícula é que as pessoas sentem que estão a ser úteis e atenciosas quando dizem isso. Bem, novidade: Não estão a ser. Se uma moça quer comer uma grande porção de comida, é porque ela está com fome, então supere isso. Ninguém deve ter que morrer de fome e de magreza, a fim de impressionar os outros.

5. “Você está com alguns problemas de saúde?”

A menos que alguém realmente lhe diga que tem um problema de saúde, não assuma que elas têm um por causa do seu tamanho. Quero dizer, há realmente mais pessoas de tamanho grande que são saudáveis do que um monte de pessoas magras. Portanto, não assuma que o peso dela é apenas algum infeliz efeito colateral de uma questão médica.

6. “Perdeste peso? Pareces MUITO melhor!”

Isto é como dizer: “Ei! Parecias muito mais feia quando estavas gorda. Deves ficar magra. “E isso, na minha opinião, vai para além de ofensivo. Mesmo que essas pessoas tenham boas intenções elas estão a tentar elogiar alguém pelo seu progresso, e é insultante dizer que alguém costumava ser pouco atraente ou indesejável, tudo por causa de seu tamanho.

7. “Eu não acho que isso (inserir qualquer peça de roupa aqui) foi feito para o teu tipo de corpo.”

É tão infeliz que a maioria das lojas de roupas atendam principalmente a pessoas que são muito delgadas. Mas a boa notícia é que as bloggers de moda estão a começar a provar que elas podem quebrar regras de moda e ainda ter uma aparência fabulosa.

8. “Tens certeza de que aguentas fazer (inserir qualquer exercício ou atividade física aqui)?”

As moças gordas podem ser ativas. E elas são perfeitamente capazes de fazer as mesmas atividades que as moças magras podem fazer, ao contrário do que a maioria das pessoas é levada a acreditar.

9. “Como é que ficaste tão gorda?!”

Não há absolutamente nada de errado em ganhar um pouco de peso, por isso realmente irrita-me quando vejo pessoas a reagir de forma exagerada com os seus entes queridos que ganharam um pouco de peso. Afinal, é apenas um par de quilos extra. Não é como se a pessoa se transformasse num enorme dinossauro.

10. “És uma boa pessoa, mas teu peso é realmente um grande desvio.”

Ok, em primeiro lugar, as pessoas não são definidas pelo seu peso. Quando você diz algo como isto, você está basicamente a dizer-lhes que elas são indesejáveis por causa de seu peso. E acrescentar que elas são uma boa pessoa não conta absolutamente nada para suavizar o golpe, porque você também está a dizer-lhe que valoriza mais a sua aparência do que a sua personalidade.

11. “Eu pareço gorda?”

É a primeira pergunta que a maioria das pessoas perguntam quando tentam algo novo, porque “Eu pareço gorda?” Tornou-se o novo “Eu pareço má?” E, de seguida, geralmente, a pessoa a quem estão a pedir responde dizendo algo como “Não, tu estás bem.” É triste realmente, porque a palavra “gordura” continua a ser usada como um insulto quando não é o realmente.

Quais dessas frases te surpreenderam mais? Perdemos algumas frases ofensivas que são realmente fat-shaming? Diz-nos nos comentários abaixo!

Nakeisha é escritora e uma entusiasta de livros JA – jovens adultos. Antes de desembarcar do seu estágio em Gurl, ela estagiou em lugares como Nickelodeon, Bauer Teen Group e na revista Popstar! Em seus tempos livres, ela gosta de ler, escrever, cantar músicas da Adele fora do tom, e ver num curto espaço de tempo velhas temporadas da série O Escritório. Seu sonho de toda a vida é escrever um best-seller e ter uma oferta ilimitada de chocolate. Você pode ser um dos seus shenanigans seguindo-a no seu Instagram e Twitter.

Texto adaptado e traduzido de: https://thebodyisnotanapology.com/magazine/11-offensive-phrases-you-didnt-realize-are-fat-shaming/

AFASTEM-SE PESSOAS MAGRAS – eis porque a positividade corporal não foi feita para vocês

4 de julho de 2016 por Melissa A. Fabello, Cathy Bouris e Kaitlyn M. Forristal

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Eu vou ser sincera: Como uma mulher magra envolvida no ativismo da aceitação corporal, eu tive meus momentos quando desejei que as conversas tivessem mais espaço em torno de mim e das minhas experiências.

A aceitação do corpo como um movimento flutuou na minha vida quando eu descobri o feminismo durante o começo da minha recuperação do transtorno alimentar. E eu queria tão desesperadamente pegá-lo como uma borboleta e torná-lo meu. Eu precisava disso. Eu percebi, de facto, que todos nós precisávamos. E eu atirei-md nele com fervor ignorante, desesperado para prodigá-lo e espalhar seu evangelho.

Mas, na minha alegre descoberta do que viria a ser um salva-vidas para mim, o que inicialmente desejava do movimento era centralizar-se no que me parecia relevante para minhas próprias lutas.

Particularmente como uma mulher que é um tamanho 40 – considerado plus-size pelos padrões da indústria da moda – e que não é o socialmente idealizado “modelo fino”, eu rapidamente senti que a positividade do corpo, como um movimento, não era realmente feita para mim.

Por que não podemos ter mais conversas sobre mulheres que não são gordas, mas que também não são esbeltas? Eu perguntava-me. Onde encaixamos nesta paisagem?

Porque o que eu estava a ver à superfície nesses espaços era a celebração, de corpos que ainda não se pareciam com o meu. E quando eu olhava para a sociedade como um todo e sentia que eu tinha de diminuir três tamanhos para ser celebrada, e então olhava para os espaços positivos para o corpo e sentia que eu precisava aumentar pelo menos três tamanhos para ser notada, eu senti-me invisível. E na minha ingenuidade, eu sentia que era inerentemente um corpo-negativo.

Se “todos os corpos são bons corpos”, eu pensei, onde está o foco no meu?

Eu aprendi muito mais sobre as nuances da opressão desde aqueles dias iniciais. E eu aprendi que, como um movimento criado por mulheres gordas para mulheres gordas, que realmente não é um lugar para eu esperar ver as experiências centradas em mim, mesmo que eu ainda possa participar e beneficiar disso.

Mas eu ainda vejo esse sentimento flutuar ao meu redor: mulheres de tamanho padrão perguntando-se em voz alta por que a aceitação do corpo se sente hostil com elas, ao tentarem aplicar sua compreensão da opressão para provar a”discriminação inversa”, frustradas pela tentativa de que se centre nelas e nos seus corpos sendo vista como crítica ao invés de ser celebrada.

Por vezes, eu ainda sinto essa emoção borbulhar em mim mesma.

Mas a realidade é que o movimento de aceitação do corpo não foi criado para nós, companheiras magras. Não foi um lugar criado para nós em primeiro lugar. E, por mais frustrante que isso possa parecer, é importante para nós reconhecermos que não precisa ser centrado em pessoas magras para ser útil – até mesmo para nós.

Então, perguntei a duas de minhas boas amigas (e ativistas gordas favoritas), Cathy Bouris e Kaitlyn M. Forristal, que se juntassem a mim para explorar essa questão que é perguntada repetidamente: A positividade do corpo realmente se importa com as pessoas magras?

E aqui está o que nós trouxemos: quatro razões por que empurrar os movimentos de aceitação do corpo para atender a pessoas magras não é apenas algo sem sentido, mas também prejudicial.

1. A Positividade Corporal Mainstream já Inclui Corpos Delgados

Pessoas magras, vossos corpos já estão representados.

Pense nas campanhas positivas para o corpo popular que viu no ano passado: #PlusÉIgual e #EuNãoSouUmAnjo da Lane Bryant, ou a campanha “Quem me dera poder usar” da Amazon. Ou talvez até mesmo a campanha de positividade do corpo masculino da American Eagle que acabou por ser uma piada (porque os tipos gordinhos que gostam de si mesmos são engraçados – ou algo assim).

Todas essas campanhas incluem corpos magros ou médios. Em muitos casos, são os corpos gordos que são os sub-representados nestas campanhas que são direcionadas para comemorar a diversidade do corpo.

Invés disso, as pessoas que mais precisam de aceitação do corpo vêem-se representadas por modelos altos e curvílineos com estômagos achatados que não seriam apanhados a comprar realmente numa loja especificamente voltada para mulheres de tamanho grande.

Estes são as modelos que têm “curvas em todos os lugares certos” – sem dobras no estômago ou braço pendurados à vista. Modelos como Ashley Graham, Stefania Ferrario (a força motriz por trás de #DeixaOPlus) e Robyn Lawley não retratam a realidade do que a maioria das mulheres de tamanho grande aparentam – e ainda são quem está a ser usado para representá-las.

De fato, a ASOS recentemente deixou escapar e admitiu no Twitter que seus modelos Curve eram geralmente um tamanho 44 Europeu de Portugal. Mesmo os modelos usados para vender roupas de tamanho grande mal chegam a ser tamanhos grandes de facto. Além disso, um dos segredos mais difíceis da indústria é que muitos desses modelos realmente usam estofamento para caber em roupas maiores.

A maioria dos corpos que são apresentados, especialmente na media, como sendo corpo positivo ainda se encaixam no tamanho padrão (ou apenas pouco mais). Quero dizer, quantas vezes você viu imagens de Marilyn Monroe sendo usada para estabelecer um ponto quanto ao amor do corpo? Suas medidas eram 91-58-90, tornando-a semelhante em tamanho às modernas estrelas atuais que são comemoradas pelos seus corpos “não convencionais” em Hollywood, como Jennifer Lawrence e Demi Lovato.

E todas essas mulheres são menores do que a média americana.

A pergunta que não quer calar: Onde estão exatamente as mulheres magras a sentirem-se deixadas de fora?

As pessoas magras notaram alguma hostilidade em relação aos corpos mais finos nos espaços de aceitação de gordas. Mas conversas sobre como é ter-se privilégio e como isso afeta os outros não é hostilidade para com os indivíduos; É a raiva de um sistema opressivo. E a verdade é que as pessoas magras contribuem para esse sistema quando exigem a inclusão.

As pessoas marginalizadas têm direito a espaços onde possam discutir essa experiência sem pensarem em ferir sentimentos. Isto é especialmente verdadeiro quando se considera que a positividade do corpo dominante nasceu da gorda teoria feminista sendo reembalada e vendida às massas.

Ser incapaz de participar em algumas conversas não equivale a não ser incluído em um movimento.

Além disso, pessoas muito magras sentem que seu status social “muito magro” raramente é abordado na positividade do corpo. Mas há um tempo e um lugar para se ter essas conversas (ou seja, com outros que compartilham sua experiência).

Ser convidado a não trazer esse argumento durante uma conversa sobre experiências de gordas não é um sinal de que a aceitação do corpo não é “intersecional” ou “inclusiva” o suficiente; É uma dica de que você pode estar a descarrilar numa conversa.

É bom ter essa conversa. Não é bom forçar os outros a tê-la quando estão a falar de uma experiência mais marginalizada.

As pessoas magras não estão a ser deixadas de fora deste movimento em tudo – estão a ser estreadas nele. E assim elas estão chateadas de cada vez que a conversa não é sobre elas. E isso não é a mesma coisa.

2. Há conversas mais duras de se ter sobre quais corpos são realmente excluídos

Enquanto isso, existem corpos que estão sendo deixados de fora do movimento.

E quando as pessoas empurram mais conversas em torno de magreza (e geralmente, um tipo muito específico de magreza em que – são brancas, de classe média, mulheres femininas, cisgénero) para que aconteçam, elas estão a silenciar ainda mais as conversas mais difíceis que precisamos ter como um movimento.

Porque se seu feminismo não é interseccional, então para quem diabos é isso?

E o movimento de aceitação do corpo dominante tem um longo, longo caminho a percorrer para ser inclusivo com múltiplos corpos marginalizados.

Os ativistas de aceitação do corpo são freqüentemente criticados (e com razão) por excluírem experiências não-binárias ou agendas. Toda vez que falamos sobre como os “homens e mulheres” experimentam problemas de imagem corporal, ou quando falamos sobre questões de imagem corporal como sendo indicativas de expectativas binárias de género, deixamos de fora grupos inteiros de pessoas.

A interseção da imagem corporal e experiências transgénero também é incrivelmente matizada – e decididamente diferente de como as pessoas se sentem em seus corpos. Com a potencialmente adicionada experiência de disforia corporal junta à mistura, bem como a pressão para “passar” e como o peso e a composição corporal pode desempenhar um papel nisso, precisamos estar a falar sobre isso. Em vez disso, muitos dos mantras mais populares do “corpo-positivo” deixam experiências trans inteiramente fora.

O feminismo mainstream, em geral, não é o melhor ao lembrar-se de falar sobre pessoas com deficiência. E os movimentos de aceitação do corpo dominantes não são excepção. O corpo não é uma desculpa faz um trabalho brutal ao discutir como a política do corpo afeta os incapacitados.

E TEDxTalks virais sobre a beleza por ativistas deficientes como Lizzie Velasquez, Shelley Baer, Aimee Mullins, e Maysoon Zayid fizeram as rondas repetidas vezes. Mas ainda participamos ativamente de uma cultura capaz de “Ame Seu Corpo Pelo Que Pode Fazer / Saudável é o Novo Magro” o que marginaliza as pessoas.

Se você perguntar ao Google o que significa ser uma mulher bonita, a resposta que você receberá é esmagadoramente-bem-branca. E, quando perguntamos ao Google como é uma mulher positiva para o corpo, embora nos tornemos um pouco mais diversificados, é por uma pequena margem.

A branquidade, ao que parece, é um pré-requisito para a beleza, tanto dentro como fora dos principais círculos de aceitação do corpo. E quando os meios de comunicação praticam a lavagem de cor, as mulheres de cor são chamadas de “exóticas”, e as mulheres negras são gritadas por celebrar sua própria beleza, temos claramente algum trabalho a fazer para incluir pessoas negras nas nossas conversas.

E as pessoas gordas – não curvílineas ou pessoas com um pouco de gordura, mas pessoas gordas – continuam a ser deixadas de fora nesta conversa que eles começaram. A maneira que a positividade do corpo foi comercializada, não inclui mesmo corpos gordos.

Tess Holliday é um dos poucos, se não o único, modelo de tamanho grande que as pessoas podem nomear que é considerado gorda, ao invés de curvilínea com ajuda de estofamentos – e ela está notavelmente ausente na maioria das campanhas de positivimos corporal.

A mercantilização da aceitação do corpo – que publicita e lucra com as inseguranças que nos vendiam, agora vendem o amor-próprio como antídoto – é um problema geral.

Mas é especialmente problemático quando os anunciantes reduzem a aceitação da gordura para torná-la mais palpável para o público-alvo e, de seguida, deixam as pessoas gordas de fora de seu reino completamente, como Zaynab Shahar brilhantemente compartilha neste artigo.

Então os corpos estão a ser deixados de fora das conversas da aceitação, de modo regular? Com certeza. Mas eles certamente não são magros. E se você realmente se preocupa com a inclusão na aceitação do corpo, esses exemplos (e mais) devem estar onde sua atenção está.

3. Pessoas magras beneficiam com a erradicação da Gordofobia

Há uma razão pela qual um monte de trabalho de justiça racial se concentra especificamente no racismo anti-negro. E há uma razão pela qual os espaços feministas precisam se concentrar nas mulheres trans.

É porque centrar as pessoas mais marginalizadas de qualquer grupo beneficiará o grupo como um todo em movimentos pela justiça. Quando aplicamos nosso esforço em apoiar as pessoas que são mais feridas por qualquer sistema, ele muda o status quo para todos nós.

Todas as pessoas megras (e brancas!) beneficiam da erradicação anti-negritude. Todas as mulheres (e todos os sexos!) beneficiam da destruição da transmissoginia. E todas as pessoas beneficiam quando dissermos para a gordofobia ir dar uma volta.

A verdade é que algumas pessoas são mais feridas por qualquer sistema particular do que outras, devido às estruturas de poder que sustentam esse sistema. E no caso da opressão gordofóbica, a estrutura de poder que a sustenta é o ideal de magro.

Todas as pessoas estão tramadas com isso – assim como todas as pessoas são feridas por qualquer estrutura de poder. Tu, tu mesmo, a leres isto, provavelmente podes atestar a miríade de maneiras que o ideal magro generalizou o medo e o ódio dos corpos gordos e como danificou a vida das pessoas magras. Porque o fez.

A questão é: as pessoas magras são mais ou menos feridas por isso do que uma pessoa gorda? E por que isso importa?

Fique conosco através desta metáfora estranha:

Vamos pensar em resolver a opressão como o desenvolvimento de medicação para a dor. Digamos que, como uma pessoa magra numa sociedade gordofóbica, numa escala de um a dez, tu experimentas três pontos de dor. Se apenas desenvolvermos uma medicação para dor que auxilie até três pontos de dor, você será salvo! Mas o que acontece com todos os outros?

Ao contrário, se desenvolvemos um analgésico que alivie até dez pontos de dor, então todos se beneficiam, inclusive tu!

Então, faz mais sentido concentrar nossos esforços nas pessoas com três pontos de dor, ou naquelas com dez? Será que faz mais sentido concentrar o movimento de aceitação do corpo em pessoas magras, que só experimentam a dor da opressão gordofóbica em um grau, ou em pessoas gordas, que recebem o peso da opressão?

As pessoas magras perguntam-se como a aceitação do corpo pode ser útil para elas se estiver fortemente focada em pessoas gordas. A diferença é que quando a aceitação do corpo se concentra em pessoas gordas, pessoas magras beneficiam. Quando é centrado em pessoas magras, pessoas gordas ficam para trás.

4. Não podemos validar a magreza como capital social (sim, é opressivo)

No final do dia, quando pessoas magras dizem “Mais conversas sobre nós, por favor”, elas estão a reafirmar que seus corpos merecem mais atenção.

Eles estão a pedir a um grupo de pessoas marginalizadas que colocaram muito trabalho num movimento para se concentrarem mais nelas porque querem beneficiar dele também. E isso, por si só, é opressivo.

Você pode recitar versões de mantras que foram criadas por e para pessoas marginalizadas durante todo o dia, exigindo que mais atenção seja dada a ti se a aceitação do corpo realmente acredita em amor-próprio para todos.

Mas é apenas outra versão prejudicial de “E quanto aos homens?”

Da mesma forma que o feminismo é para todos, incluindo os homens, a positividade do corpo é para todos, incluindo pessoas magras. Mas quando as pessoas magras se centram – fazendo seus corpos mais elevados e mais importantes na sala – estão a usar seu capital social de magreza para reificar a opressão.

Tu estás a cooptar um movimento que foi criado por e para indivíduos gordos. E quando fazes isso, estás a tirar recursos das pessoas marginalizadas e a afirmares-te como os mais poderosos.

Ao exigir a inclusão num movimento para pessoas marginalizadas quando és um membro do grupo privilegiado, estás a afirmar o teu poder social sobre os marginalizados.

Como uma pessoa magra, o teu privilégio permite que a tua voz seja ouvida de modo muito, muito mais elevado do que a multidão de pessoas gordas que vieram antes de ti. E quando usas a plataforma atribuída, para falares apenas dos sentimentos feridos de pessoas magras, ignoras as experiências de pessoas gordas – e assim concretizas a opressão que enfrentam.

E isso não é um movimento para te orgulhares.

Então, da próxima vez que te perguntares por que te sentes deixado de fora da aceitação do corpo, pergunta a ti mesmo por que precisaa dele, em primeiro lugar. Mais do que provável, é porque tu, como o resto de nós, fomos ensinados a odiar a maneira como aparentamos e a termos medo de vir a ser ou de realmente sermos gordos.

A positividade corporal e a aceitação do corpo são absolutamente cruciais para o ativismo da justiça social e nosso trabalho em direção a uma sociedade mais inclusiva. No entanto, é o ódio desenfreado e sistémico de corpos gordos que necessitam destes como conceitos vitais e radicais.

Então, se é a gordura que nós odiamos tanto como uma sociedade, então são os corpos gordos que precisam de mais atenção num movimentos de trabalho para corrigir isso.

E é por isso que ele não pode se concentrar em ti.

Autoras:

Melissa A. Fabello, Editora Co-Gerente do Feminismo Diário, é uma ativista de aceitação do corpo e estudiosa da sexualidade, que vive em Filadélfia. Ela gosta de dias chuvosos, tatuagens, yin yoga e Jurassic Park. Ela tem um Bacharelato em Educação Inglesa da Universidade de Boston e um Mestrado em Sexualidade Humana da Universidade Widener. Ela está atualmente a trabalhar no seu Doutoramento. Ela pode ser encontrada no Twitter @fyeahmfabello.

Cathy Bouris é uma estudante de media, pós-graduada, de 22 anos de Sydney, Austrália. Ela passa a maior parte do tempo a tweetar @catherinebouris e a ver tantos programas de TV como é humanamente possível.

Kaitlyn M. Forristal é uma conselheira profissional, ativista gorda, e uma incondicional senhora dos gatos que vive em Ohio. Ela gosta de punk rock e esmagar a supremacia branca cisheteropatriarcal. É bacharelada e mestrada pela Universidade de Toledo, onde atualmente trabalha em seu doutoramento em Educação e Supervisão de Conselheiros. Podes encontrar Kate no Twitter @ k80mylady.

Texto adaptado e traduzido de: http://everydayfeminism.com/2016/07/body-acceptance-not-for-thin-ppl/